Dra. Marjoly Schmitt: Envelhecer Bem Não é Apenas Viver Mais
10/09/2026 Coluna Dra. Marjoly Schmitt
Envelhecimento saudável começa muito antes da velhice — e envolve preservar autonomia, força, saúde mental, vínculos e qualidade de vida ao longo dos anos.

Envelhecer faz parte da vida. O desafio não é impedir o envelhecimento, mas cuidar para que os anos vividos sejam acompanhados de saúde, autonomia e participação naquilo que realmente importa para cada pessoa.

Quando falamos em envelhecimento saudável, não estamos falando de uma vida sem doenças. A Organização Mundial da Saúde define envelhecimento saudável como o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que permite o bem-estar na velhice. Isso significa conseguir realizar atividades importantes para a própria vida, movimentar-se, tomar decisões, manter relacionamentos e participar da sociedade.

Por isso, uma pessoa pode ter hipertensão, diabetes, artrose ou outras doenças crônicas e ainda assim envelhecer de forma saudável, especialmente quando essas condições estão adequadamente acompanhadas e não comprometem sua funcionalidade.

O que podemos fazer para envelhecer melhor?

Movimente-se.

A atividade física é uma das principais ferramentas para preservar saúde e funcionalidade. Para adultos e idosos, a OMS recomenda, em geral, pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Para pessoas idosas, atividades que trabalhem equilíbrio e força são especialmente importantes para preservar a capacidade funcional e ajudar na prevenção de quedas.

E não é preciso começar fazendo tudo de uma vez. Para quem é sedentário, começar aos poucos e aumentar progressivamente já é um caminho importante. Pessoas com limitações ou doenças crônicas devem adaptar a atividade às suas condições e capacidades.

Cuide da alimentação.

Uma alimentação adequada ao longo da vida contribui para preservar massa muscular, saúde metabólica e funcionalidade. Na pessoa idosa, a avaliação deve considerar também alterações de apetite, perda de peso involuntária, dificuldades para mastigar ou engolir e risco de desnutrição.

Cuide do sono e da saúde emocional.

Saúde não é apenas exame de sangue. Sono adequado, saúde mental, vínculos afetivos, atividades prazerosas e participação social também fazem parte de uma vida saudável.

Revise seus medicamentos.

Com o passar dos anos, é comum que uma pessoa passe a utilizar vários medicamentos. Por isso, consultas periódicas são importantes para avaliar se cada medicamento continua necessário, se as doses estão adequadas e se existem possíveis interações ou efeitos adversos.

Faça prevenção.

Vacinação, acompanhamento das doenças crônicas e rastreamentos indicados para cada faixa etária e perfil de risco fazem parte do cuidado. Prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis, mas fazer aquilo que é indicado para cada pessoa.

E talvez o ponto mais importante: preserve sua autonomia.

Envelhecer bem não significa ter a aparência de alguém mais jovem. Significa, tanto quanto possível, continuar sendo capaz de fazer aquilo que dá sentido à própria vida.

Cuidar da saúde aos 40, 50, 60 anos e depois disso não é apenas tentar evitar doenças. É investir na possibilidade de chegar aos próximos anos com mais força, independência e qualidade de vida.

Envelhecer é inevitável. Como vamos envelhecer é, em parte, uma construção que começa muito antes da velhice.

Dra. Marjoly Schmitt
Médica especialista em Clínica Médica | Atuação em Geriatria
CRM-PR 47.587 | RQE 34.831

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