El Niño deve provocar chuvas acima da média e aumentar risco de temporais no Paraná até 2027
10/07/2026 Paraná
Fenômeno climático se intensifica nos próximos meses e pode causar enchentes, granizo e impactos na agricultura, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado

O fenômeno climático El Niño, identificado desde junho no Oceano Pacífico Equatorial, deverá provocar mudanças significativas no clima do Paraná, com previsão de chuvas acima da média histórica em todas as regiões do Estado até o verão de 2027. As regiões Oeste e Sudoeste, especialmente a bacia do Rio Iguaçu, são apontadas como as áreas mais suscetíveis aos impactos.

As informações foram atualizadas nesta quinta-feira (9) por centros internacionais de monitoramento climático, incluindo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), e estão sendo acompanhadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que divulgou uma nova nota técnica sobre o fenômeno.

Segundo o estudo, o El Niño deverá ganhar força gradativamente durante o inverno de 2026, alcançando seu pico entre a primavera deste ano e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. As projeções indicam uma probabilidade superior a 80% de o fenômeno atingir intensidade forte a muito forte.

Embora todas as regiões do Paraná apresentem previsão de precipitações acima da média climatológica, os maiores desvios devem ocorrer no Oeste e Sudoeste. As regiões Noroeste e Central também deverão registrar volumes expressivos de chuva, enquanto o Norte, a Região Metropolitana de Curitiba, os Campos Gerais e o Litoral terão impactos menores, porém ainda acima dos padrões históricos.

Especialistas alertam que eventos de El Niño mais intensos favorecem a formação de sistemas convectivos de mesoescala, capazes de gerar chuvas intensas em curtos períodos, grande incidência de raios, rajadas de vento e até episódios de granizo.

Durante o inverno, a maior umidade tende a reduzir os períodos de estiagem característicos da estação. Já na primavera, quando os efeitos do fenômeno costumam ser mais intensos no Sul do Brasil, aumenta a possibilidade de eventos prolongados de chuva, elevando os riscos de inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.

O Simepar ressalta, entretanto, que os impactos do El Niño não ocorrem de forma uniforme em todas as regiões e dependem da atuação de outros sistemas meteorológicos, como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas semiestacionários. Por isso, o acompanhamento diário das previsões meteorológicas continua sendo fundamental.

Impactos na agricultura

No setor agrícola, o aumento das chuvas pode trazer benefícios ao reduzir os períodos de seca e favorecer o desenvolvimento de diversas culturas. Contudo, o excesso de umidade também representa desafios importantes para os produtores rurais.

A elevação da umidade do solo poderá dificultar operações no campo, comprometendo períodos ideais de plantio e colheita. Além disso, ambientes mais úmidos favorecem o surgimento de doenças fúngicas e podem afetar a qualidade dos grãos, dependendo da cultura e do estágio de desenvolvimento das lavouras.

Outro ponto de atenção é o aumento do risco de erosão e perdas de solo, especialmente em áreas mais suscetíveis e durante episódios de chuva intensa.

O que é o El Niño?

O El Niño faz parte do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e alterações na circulação atmosférica global.

Considerado um dos principais fenômenos climáticos do planeta, o El Niño tem capacidade de modificar os padrões de temperatura e precipitação em diversas regiões do mundo por períodos que podem durar meses ou até anos.

Dados recentes da NOAA indicam que o fenômeno se fortaleceu no último mês, com temperaturas da superfície do mar já registrando índices de 1,2°C acima da média na principal região monitorada. Além disso, as águas em profundidades de até 200 metros também apresentam temperaturas significativamente superiores ao padrão climatológico, reforçando as projeções de intensificação do fenômeno nos próximos meses.

Redação Guia São Miguel

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