Uso de tadalafila cresce mais de 2.000% no Brasil e especialistas alertam para riscos da automedicação
08/07/2026 Brasil
Popularização nas redes sociais e uso recreativo impulsionam vendas do medicamento, mas médicos reforçam que a substância deve ser utilizada apenas com indicação profissional

A tadalafila, medicamento desenvolvido para o tratamento da disfunção erétil e dos sintomas da hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata), tornou-se um dos remédios mais vendidos do Brasil. Em menos de uma década, as vendas cresceram mais de 2.000%, passando de cerca de 3 milhões de caixas comercializadas em 2015 para mais de 60 milhões por ano, colocando o medicamento entre os genéricos mais vendidos do país.

Especialistas atribuem esse crescimento não apenas ao aumento das prescrições médicas, mas também ao uso recreativo, impulsionado pelas redes sociais. Muitos jovens passaram a consumir a tadalafila sem apresentar qualquer problema de saúde, acreditando que o medicamento melhora o desempenho sexual ou aumenta o rendimento durante os treinos em academias. No entanto, essas indicações não possuem respaldo científico para pessoas saudáveis e preocupam autoridades de saúde.

A popularização também foi favorecida pela ampla oferta de medicamentos genéricos, pela redução dos preços e pela facilidade de acesso a consultas por telemedicina. Esse cenário contribuiu para diminuir o preconceito em buscar tratamento para a disfunção erétil, mas também facilitou o uso indiscriminado do medicamento.

Outro fator que chamou a atenção das autoridades foi a comercialização irregular de produtos contendo tadalafila em formatos como balas de goma ("gummies"), prática proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência reforça que a tadalafila é um medicamento sujeito à prescrição médica e que produtos não regularizados representam risco à saúde.

Riscos do uso sem orientação médica

Embora seja considerada segura quando utilizada corretamente, a tadalafila pode provocar efeitos adversos, principalmente quando consumida sem avaliação médica. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão dor de cabeça, congestão nasal, vermelhidão no rosto, dores musculares, azia e tontura.

Em situações mais graves, o medicamento pode causar queda acentuada da pressão arterial, alterações cardiovasculares, arritmias e apresentar risco elevado quando combinado com medicamentos à base de nitratos, utilizados por pacientes com doenças cardíacas. O uso frequente sem necessidade clínica também pode favorecer o desenvolvimento de dependência psicológica relacionada ao desempenho sexual.

Tadalafila x Viagra: qual a diferença?

A tadalafila e o sildenafil, conhecido comercialmente como Viagra, pertencem à mesma classe de medicamentos e atuam aumentando o fluxo sanguíneo para facilitar a ereção durante a estimulação sexual.

A principal diferença está na duração do efeito. Enquanto o sildenafil costuma agir por aproximadamente quatro a seis horas, a tadalafila pode permanecer ativa por até 36 horas, oferecendo maior flexibilidade ao paciente. Nenhum dos dois medicamentos provoca ereção espontânea: ambos dependem de estímulo sexual para funcionar. A escolha entre eles deve ser feita pelo médico, considerando o histórico clínico, doenças associadas e outros medicamentos utilizados pelo paciente.

Quando o medicamento é indicado?

A principal indicação da tadalafila é o tratamento da disfunção erétil diagnosticada por um profissional de saúde. Em alguns casos, também é prescrita para aliviar os sintomas da hiperplasia prostática benigna e, em situações específicas, para outras condições aprovadas pelo médico.

Antes da prescrição, o paciente deve passar por avaliação clínica para identificar possíveis causas da disfunção erétil, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, alterações hormonais ou fatores psicológicos. Especialistas ressaltam que a automedicação pode mascarar problemas de saúde importantes e atrasar o diagnóstico correto.

Diante do crescimento expressivo das vendas, médicos, farmacêuticos e a Anvisa reforçam que a tadalafila não deve ser utilizada como estimulante sexual ou pré-treino. O uso responsável, com acompanhamento profissional, continua sendo a forma mais segura de obter os benefícios do medicamento e evitar complicações à saúde.

Redação Guia São Miguel

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