PF deflagra operação contra tráfico de mulheres e exploração sexual em Santa Helena
26/05/2026 Santa Helena
Investigação da Polícia Federal aponta esquema de tráfico internacional de pessoas, servidão por dívidas e cárcere de mulheres paraguaias em estabelecimento no município

A Polícia Federal realizou, no início da tarde desta segunda-feira (25), uma operação em Santa Helena para combater crimes relacionados ao tráfico internacional de pessoas, exploração sexual e redução à condição análoga à de escravo. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

Segundo a PF, a investigação busca desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no aliciamento de mulheres estrangeiras para exploração sexual em território brasileiro. O esquema também envolve crimes de manutenção de casa de prostituição, rufianismo e associação criminosa.

O inquérito policial teve início no dia 6 de maio de 2026, após informações repassadas pelo Comando Tripartite indicarem a presença de mulheres estrangeiras mantidas em situação de privação de liberdade em Santa Helena. Durante a primeira diligência realizada pelos agentes federais, foram encontradas dez mulheres paraguaias no local investigado.

Conforme a Polícia Federal, duas vítimas relataram situações de abuso e pediram resgate imediato às equipes policiais. As apurações apontam que as mulheres eram atraídas no Paraguai por meio de falsas promessas de emprego ou em razão da vulnerabilidade socioeconômica em que se encontravam.

Ao chegarem ao estabelecimento, as vítimas teriam sido impedidas de deixar o local livremente e submetidas a um sistema de servidão por dívidas fraudulentas. Ainda de acordo com as investigações, o grupo criminoso exercia controle psicológico constante, restringia a comunicação das mulheres com familiares e confiscava integralmente os valores obtidos nos atendimentos realizados.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais federais buscaram apreender aparelhos eletrônicos, cadernos de anotações e documentos que possam comprovar a retenção de valores e a administração das atividades ilícitas. A PF também pretende identificar toda a rede transnacional envolvida no aliciamento das vítimas e ampliar a proteção às mulheres que permaneciam sob contexto de coação moral e dependência econômica.

Caso os investigados sejam condenados pelos crimes apurados, as penas podem variar entre 10 e 28 anos de prisão.

Redação Guia São Miguel com informações da Polícia Federal

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