Não é difícil pegar uma peça de roupa e, ao olhar a etiqueta de composição, encontrar a palavra poliéster. A fibra, amplamente usada pela indústria da moda por ser resistente e barata, é produzida a partir do petróleo — e pode se tornar mais cara nos próximos meses devido ao aumento no preço do barril e às dificuldades logísticas causadas por conflitos internacionais.
Com a escalada das tensões no Oriente Médio e o fechamento parcial de rotas marítimas estratégicas, o petróleo Brent, referência global de preço, ultrapassou a marca de US$ 120, provocando um efeito em cadeia que atinge diretamente a indústria têxtil e o varejo de roupas.
Atualmente, fibras sintéticas como poliéster e nylon representam mais da metade da produção têxtil mundial. Com a instabilidade no fornecimento de petróleo e derivados, o custo dessas matérias-primas já teria subido até 40%, segundo estimativas do setor.
Além do encarecimento das fibras, a crise logística também preocupa. Navios que transportam tecidos e produtos da Ásia para o Brasil têm precisado desviar rotas para evitar áreas de conflito, contornando regiões da África. Esse caminho mais longo pode adicionar até 20 dias de atraso nas entregas, elevando drasticamente o valor do frete e do seguro marítimo.
Apesar da alta nos custos, as vitrines ainda não refletem grandes mudanças. Isso ocorre porque as coleções atuais foram planejadas e produzidas com meses de antecedência, utilizando estoques comprados antes da disparada do petróleo.
Outro fator que contribui para segurar os preços no curto prazo é a relativa estabilidade do dólar, que opera na casa dos R$ 4,90. Essa condição tem servido como uma proteção temporária para importadores brasileiros, reduzindo o impacto imediato das altas internacionais.
A tendência, porém, é de mudança. Especialistas apontam que o “choque do petróleo” deve aparecer de forma mais evidente no mercado brasileiro entre julho e setembro de 2026, com impacto direto nas coleções de primavera-verão, período em que a indústria costuma utilizar mais tecidos sintéticos e leves.
Mesmo diante do cenário de aumento, a expectativa é que as lojas evitem repassar o custo total ao consumidor. Com o orçamento das famílias apertado e a concorrência alta, grandes redes varejistas estão cautelosas para não perder clientes.
O mercado calcula que, embora os custos de produção possam subir cerca de 15%, apenas 3% a 6% desse aumento deve chegar ao preço final. O restante tende a ser absorvido pelas próprias empresas, que preferem reduzir margens de lucro a correr o risco de queda nas vendas e estoques encalhados.
Caso a previsão se confirme, o consumidor poderá sentir primeiro o impacto em peças populares como camisetas, roupas esportivas, moda infantil e itens básicos do dia a dia — produtos em que o poliéster é predominante.
Enquanto isso, o setor segue atento ao desenrolar dos conflitos internacionais e ao comportamento do petróleo, que se tornou novamente um dos principais fatores capazes de influenciar o preço das roupas no mundo inteiro.
Redação Guia São Miguel com informações do Metrópoles
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